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APRESENTAÇÕES
DOS INFARTOS VENOSOS DO SNC
Os infartos
venosos cerebrais podem envolver as veias ou os seios venosos. Os infartos
venosos cerebrais ocorrem mais frequentemente em neonatos prematuros do
que em neonatos à termo. Os infartos venosos nos neonatos prematuros ocorrem
devido à compressão da veia terminal pelo efeito de massa do sangue da
matriz germinal quando sangra. O infarto venoso pode ser localizado na
área drenada pelas veias bulbares ou pode ser mais extenso e envolver
as áreas drenadas pelas veias bulbares, pelas veias tálamo-estriatais
e pelas veias coroidais (Figura 249.1). Os infartos venosos cerebrais
são frequentemente hemorrágicos (veja hemorragia intraparenquimatosa).
Em neonatos à termo, os infartos venosos geralmente ocorrem devido à desidratação
e aos estados de hipercoagulação e envolvem os seios venosos.
Figura 249.1.— Respresentação esquemática do cérebro (idade
gestacional: 34-38 semanas) que demonstra um corte sagital (B-B:) e um
corte coronal (C-C). Os ventrículos são representados de azul; o plexo
coroidal de cor-de-rosa. 1: veias bulbares; 2: veia terminal; 3: veia
cerebral interna; 4: veia de Galeno; 5: seio reto; 6: veia tálamo-estriatal;
7: veia coroidal; 8: Artéria de Heubner; 9: ramos estriatais da artéria
cerebral média; 10: pólos frontais; 11: corno frontal do ventrículo lateral
esquerdo; 12: matriz germinal; 13: foramen de Monro; 14: terceiro ventrículo;
15: pólos occipitais.
Um
infarto venoso do SNC deve ser considerado nos pacientes com déficits
neurológicos focais, em movimentos anormais ou em convulsões, e nos pacientes
com predisposicao para participações venosas ou de seios venosos. Os déficits
neurológicos que devem levantar suspeita da possibilidade de um infarto
em um neonato são: monoparesia, hemiparesia, paraparesia, diplegia da
extremidade superior e quadriparesia. As circunstâncias que predispoem
a um infarto venoso são pressão intracraniana aumentada, policitemia,
desidratação, hipotensão ou hipercoagulopatias.
O estudo de escolha para
diagnosticar infartos varia. A ultrasonografia do cérebro é o estudo de
escolha em neonatos prematuros com suspeita de infartos venosos do cérebro.
Ela é altamente eficaz para diagnosticar os infartos periventriculares
devido à compressão da veia terminal pois os infartos são diretamente
inferiores à fontanela e frequentemente hemorrágicos. Na projeção coronal,
os infartos periventriculares devido à compressão da veia terminal aparecem
frequentemente como ecodensidades globulares ou triangulares -devido as
formas assimétricas que irradiam do ângulo externo do ventrículo lateral.
Infartos periventriculares devido ao compressão da veia terminal frequentemente
resolve com ou sem formação cística (Figura 249.2).

Figura 249.2.— Ultrasom do cérebro que demonstra a evolução
do infarto periventricular. D: dias de idade; HMG: hemorragia da matriz
germinal; IHP: infarto hemorrágico periventricular; B HMG: hemorragia
bilateral da matriz germinal. Há um cisto na área do sangramento da matriz
germinal.
Nos
neonatos à termo com suspeitas de ter um infarto venoso os estudos de
escolha são RM, venograma de ressonância magnética (RM-V), ou TC da área
em questão (Figura 249.3). O estudo deve ser executado o mais cedo possível
após o início das manifestações clínicas. Não obstante, uma RM ou uma
TC normal dentro das primeiras 24 horas depois que do início das manifestações
clínicas não elimina a possibilidade de um infarto venoso isquêmico pois
as mudanças parenquimais isquêmicas do sistema nervoso central não podem
ser detectadas por RM nem por TC durante este período. O ultrasom de Doppler
de potência e RM-V podem demonstrar a anormalidade do fluxo mais cedo
do que a imagem latente da RM ou da TC. O ultrasom de Doppler de potência
é provavelmente o estudo de escolha para diagnosticar a trombose venosa
do seio cerebral.
Figura 249.3.—
[A] RM e [B] RM-V que demonstram uma trombose do seio transversal esquerdo
(complicação de meningite por beta-streptococco). ST: seio transversal;
VJI: veia jugular interna.
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