|
As manifestações da hérnia transtentorial
central se caracterizam pelo dano progressivo rostrocaudal do tronco encefálico.
Inicialmente se apresentam sinais de transtornos do mesencéfalo: desvio
de ambos os olhos para baixo como resultado da compressão dos colículos
superiores, alterações da pupila que indicam compromisso do núcleo de
Edinger-Westphal ou de suas fibras e alterações dos músculos extrínsecos
do olho como conseqüência do compromisso assimétrico do núcleo do nervo
oculomotor comum ou do fascículo longitudinal medial. Os sinais de disfunção
mesencefálica são seguidos por outros devidos a transtornos na ponte:
movimentos oculares não conjugados por compromisso do fascículo longitudinal
medial e assimetrias faciais por compromisso das fibras do nervo facial.
Posteriormente se apresentam manifestações bulbares: dificuldade na deglutição
e apnéia.
O diagnóstico de hérnia transtentorial
do úncus ou central se estabelece por estudos de imagem. Estes estudos
revelam patologia supratentorial, obliteração das cisternas situadas por
volta do trono encefálico ou evidenciam diretamente a compressão. (Figura
24.1).
O tratamento da apnéia ocasionada
por hérnia transtentorial é respiração mecânica. O paciente deve ser ventilado
para manter uma PaCO2 de 25 a 30 mm Hg., e deve receber manitol por via
intravenosa na dose de 250 mg/kg e iniciar o tratamento etiológico.

Figura 24.1.—
Edema
cerebral difuso e obliteração da cisterna ambiens.
|